O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2018 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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22 fevereiro 2018

Sabem tudo

É admirável a capacidade de certas pessoas avaliarem outrem a partir de certos pressupostos, certos jornais, certas aparências, sem nenhum conhecimento real de quem é esse outrem e de quais são os seus círculos de história, trabalho, contacto e lazer.

21 fevereiro 2018

Folheando a memória [5]

Número anterior aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

20 fevereiro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [29]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Mas a história tem, à sua retaguarda, componentes sociais importantes que permitem compreender a natureza do rumor, rumor que assume a estrutura de um pesadelo.
Na história do bicho-papão-nigeriano de mulheres a casca é falsa mas o conteúdo é real. Essa história é como um mau sonho cujos ingredientes precisamos adquirir e analisar.

19 fevereiro 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1258 de 16/02/2018, aqui.

Uma página de ironia no Faísca do Niassa

Existe no Faísca [jornal editado em Lichinga, capital provincial do Niassa] uma página de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "Kucela" [em Yaawokucela significa amanhecer]. Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. [amplie a imagem abaixo clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato]

18 fevereiro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [28]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui. A superfície da história remete-nos para o inverosímil: na hora do orgasmo, um estranho homem estrangeiro - o nigeriano (há muitos Nigerianos em Maputo) - largava vermes nos órgãos sexuais das mulheres vitimadas por suas arremetidas, vermes especiais que se alimentavam de fígado que era preciso comprar. E como se isso não bastasse, as vítimas iriam morrer.
E havia muita gente prisioneira da história e do medo, refém do papão estrangeiro. O que parece, é: era essa a medula da lógica popular.

17 fevereiro 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1258, de 16/02/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

16 fevereiro 2018

Folheando a memória [4]

Número anterior aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

15 fevereiro 2018

História

A história é, afinal, a tragédia inseparável do claro e do escuro, do diurno e do nocturno, do lógico e do ilógico, da serenidade e do desespero.

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [27]

Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).
Número inaugural aqui, número anterior aqui. Escrevi no número anterior que precisamos encontrar uma teoria que "mostre o rumor como revelador de uma estrutura, que reenvie o extraordinário para o ordinário, que detecte no epidémico o endémico" (Morin, Edgar, La rumeur d’Orléans. Paris: Seuil, 1969, p.7).
Para isso, para encontrarmos uma teoria vermicida, digamos assim, temos de ver no rumor do nigeriano verminador a estrutura de uma câmara escura singular, ao mesmo tempo invertendo a realidade e revelando-a.
O rumor conta uma história falsa para revelar e sublinhar um problema e uma inquietação reais.

14 fevereiro 2018

O que é verdade em História?

O 40.º livro da coleção Cadernos de Ciências Sociais, intitulado "O que é verdade em História?", tem a data de entrega à Escolar Editora aprazada para 20 de Abril deste ano, sexta-feira. Os autores são os seguintes: José d´Assunção BarrosAntonio Paulo BenatteCesar Saad (os três do Brasil) e João Carlos Colaço de Moçambique.

Folheando a memória [3]

Número anterior aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

13 fevereiro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [26]


Lenda urbana, boato ou rumor é "um relato anónimo, breve, com múltiplas variantes, de conteúdo surpreendente, contado como verdadeiro e recente num meio social do qual exprime de maneira simbólica os medos e as aspirações" (in Renard, Jean-Bruno, Rumeurs et légendes urbaines. Paris: PUF, 2006, 3.e éd., p. 6).

Número inaugural aqui, número anterior aqui. Estamos, então, confrontados com a fantástica história do nigeriano verminador e anunciador da morte das vítimas femininas, usador de carros de luxo de cor negra, história que, de acordo com o editorial de um jornal, já circulava no Soweto (África do Sul) em Dezembro de 2008.
Devemos concentrar a atenção no fenómeno em si e deitá-lo depois na caixa de lixo das histórias sem consequências?
De forma nenhuma. Precisamos encontrar uma teoria que "mostre o rumor como revelador de uma estrutura, que reenvie o extraordinário para o ordinário, que detecte no epidémico o endémico" (Morin, Edgar, La rumeur d’Orléans. Paris: Seuil, 1969, p.7);

12 fevereiro 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1257 de 09/02/2018, aqui.

11 fevereiro 2018

Folheando a memória [2]

Número anterior aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

10 fevereiro 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1257, de 09/02/2018, disponível na íntegra com 31 páginas aqui.

09 fevereiro 2018

Um livro

Sobre o livro, leia aqui.

Folheando a memória [1]

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

08 fevereiro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [25]

Número inaugural aqui, número anterior aqui. Segue-se a partir deste número a história de um outro rumor a que chamarei "O bicho papão nigeriano". O que aconteceu? Aconteceu que em 2009 correu em Maputo e Beira o rumor de que um diabólico nigeriano violava mulheres. Mas não só: eis os ingredientes dados a conhecer por certa imprensa local:
1. O papão era estrangeiro, havido por nigeriano, fugido da África do Sul;
2. O papão circulava numa viatura de luxo, de cor negra (certamente com vidros fumados);
3. O papão maligno disseminava o mal por via sexual;
4. O mal chegava sob forma de vermes depositados nos órgãos sexuais femininos quando o papão ejaculava (como se fosse um ser extraterrestre que quisesse propagar a sua espécie);
5. Os vermes comiam fígado (víscera que desempenha importantes funções metabólicas), eram carnívoros especiais;
6. Como se não bastasse serem pasto de vermes comedores de fígado, as mulheres vitimadas eram ainda coagidas a comprar urnas para os seus funerais, pois - assegurava o grande rumor - iriam morrer.
Aguardem a continuidade.

07 fevereiro 2018

Um planeta de refugiados

Vivemos, a nível mundial, um período de transição, entalados neste presente entre um passado que continua a ser o nosso guia cognitivo e um futuro que julgamos distante mas que já actua em nós. Neste mundo anfibológico estamos ainda reféns das categorias analíticas de ontem e por isso não vemos os indícios do futuro. Mundo que se torna mais agreste, mais rapidamente propenso à turbulência social com a velocidade das novas técnicas de comunicação. O modo capitalista de produção militariza-se mais rapidamente, mais intensamente, mais destrutivamente. À medida que o futuro se tornar pouco a pouco visível, a militarização dos países e das mentes gerará intranquilidade, medo e desespero. Procurar abrigo e paz algures poderá tornar-se uma regra sistémica no planeta, poderemos tornar-nos, por inteiro, um planeta de refugiados. Esse é apenas um cenário. Há muitos outros a ter em conta.

06 fevereiro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [24]

Número inaugural aqui, número anterior aqui. A única diferença nesta reactualização é que, permitam-me a expressão, o potencial linchatório não é descarregado sobre aqueles que são consi­derados como os verdadeiros responsáveis da suposta espoliação, mas, antes, sobre alvos típicos das acusações de feitiçaria como simples aldeãos, mulheres idosas, forasteiros, etc.
No próximo número inicio a descrição e a análise de um outro rumor.

05 fevereiro 2018

Uma crónica semanal

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato. Nota: "Fungulamaso" (=abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. Confira na edição 1256 de 02/02/2018, aqui.

04 fevereiro 2018

Generalização

A generalização é um dos mais fascinantes campos da cognição humana. A partir de alguns traços, de alguns atributos, de algumas características de alguns indivíduos de um determinado grupo, criamos totalidades, unidades identitárias, sem que tivéssemos podido verificar se todos os indivíduos do grupo possuem esses traços, esses atributos ou essas características. Por outras palavras, extraímos conclusões de dados insuficientes.

03 fevereiro 2018

Uma coluna de ironia

Na última página do semanário "Savana" existe uma coluna de ironia - suave nuns casos, cáustica noutros - que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1256, de 02/02/2018, disponível na íntegra com 30 páginas aqui.

02 fevereiro 2018

Para a psicologia dos rumores em Moçambique [23]

Número inaugural aqui, número anterior aqui. Ora, o chupa-sanguismo, o vampirismo, mais não foi nem é, em meu entender, do que uma reactualização politizada da crença exposta no 21.º número, aqui. Os funcionários governamentais, os forasteiros, os diferentes, aqueles que exibem um bem-estar visível, etc., são vistos - ontem como hoje ainda - como akwiri que sugam, directa ou indirectamente, o bem-estar das comunidades. O sangue (= vida) é a tradução desse bem-estar; a sua extracção (= a rarefacção dos bens de consu­mo) é a tradução do mal-estar.

01 fevereiro 2018

Dilema

Jornal do Instituto Nacional de Comunicação Social, Delegação do Niassa, editado em Lichinga. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.